Desvendando o pós-consumidor: a transformação inevitável.

Entre o artificial e o humano

Escrito por | 15 de setembro de 2017 | 11 meses atrás

Conforme inteligência artificial ganha espaço nos negócios, empresas precisam pensar como conciliar o mundo virtual com seu legado humano

 

Por Juliana Elias

A inteligência artificial vai acabar com os empregos? Vai mudar completamente os negócios como os conhecemos? As empresas estão realmente preparadas para ela? Estes foram alguns dos questionamentos debatidos no CONAREC 2017 durante o painel “Inteligência artificial e mente humana: feitas uma para outra?”, que reuniu executivos de empresas que já estão experimentando em diferentes graus as primeiras soluções da tecnologia inteligente.

“Parece um futuro distante mas já é hoje”, disse Marco Lupi, CEO da Neopbo, provedora de serviços digitais e outsourcing para empresas. “O investimento mundial das empresas am inteligência artificial será 300% maior neste ano do que em 2016, e dentro disso uma das aplicações que o mercado mais busca é no relacionamento empresa-cliente. É por isso que a Neobpo tem uma missão muito clara de não vender só uma ferramenta ou um serviço, mas de desenhar junto com as empresas a melhor experiência para o cliente final.”

“Para a inteligência artificial funcionar ela precisa da ação humana”, acrescentou Angel Tarradas, country manager da Inbenta Brasil, provedora de soluções digitais para diferentes plataformas de negócios. “As máquinas sozinhas aprendem coisas estranhas e serão profissionais que deverão ensinar as máquinas a entenderem o que as pessoas falam; são novas profissões sendo criadas.”

Na Alelo, conforme conta o head de inovação da empresa, Demetrio Teodorov, já há vários recursos sendo experimentados. No recrutamento, por exemplo, está em teste um sistema que faz uma pré-filtragem dos candidatos por meio de suas informações em sites como LinkedIn. Outra tecnologia em estudo permite embutir uma tecnologia no painel dos automóveis que antecipam problemas no veículo e, por geolocalização, indicam estabelecimentos de manutenção parceiros da bandeira próximos. “Nossa intenção é trazer o futuro para o presente e ver se dá certo”, disse Teodorov.

Roberta Godoi, diretora comercial e de comunicação da Claro, ressalta que trata-se de uma transição vital para os negócios mas que deve ser feita com cuidado e atenção. “Assim como eu tenho o cliente Millennial que quer resolver tudo rápido sem precisar falar com ninguém, eu ainda tenho milhões e milhões de clientes que não têm Whatsapp, não mandam SMS”, disse ela. “Há este frisson de colocar um chat bot, fazer essa transição de modelo, mas isso tem que ser feito sem esquecer o cliente tradicional; respeitando todos os clientes e entregando soluções compatíveis a cada um.”

“Muito se discute sobre a mudança de perfil do consumidor, mais ambientado no mundo digital, mas as empresas não podem esquecer ainda seu grande legado com os consumidores mais tradicionais”, disse Rodrigo Ricco, fundador da Octadesk. “De qualquer forma, alguns acham que a inteligência artificial é o início do fim do mundo, mas ela é só o começo de novos negócios.”



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