O painel final reuniu oito personalidades para falarem sobre o tema “As causas que engajam os famosos”. O debate seguiu um tom bem-humorado e descontraído e, cada um a sua maneira, os convidados falaram sobre causas que consideram importantes, como a preservação do meio ambiente, a alimentação saudável e a educação. Em comum, os participantes compartilharam a ideia de que as crianças hoje estão crescendo com uma maior consciência do que é sustentabilidade e sempre ensinam lições aos adultos. “A mudança vai vir das crianças mesmo, os pequenininhos tem mais consciência”, disse a apresentadora Marina Person.
Paulo Zulu, modelo, disse que sua causa é a alimentação saudável. “Eu acredito muito no ‘você é o que você come’”. Ele segue uma dieta sem excessos desde os 18 anos de idade e hoje cultiva uma horta em casa, na cidade de Palhoça, em Santa Catarina, e procura transmitir sua causa aos filhos. “Se você colocar para dentro de você o que tem de melhor, vai refletir o melhor para os outros, para o trabalho e para a sua vida”. No mesmo assunto, a mediadora do painel, a apresentadora Fernanda Young, disse que tenta conviver entre as diferentes realidades de ter uma horta em Minas Gerais e morar no caos de São Paulo. “Tento lidar com esse antagonismo não desenvolver culpa. Condimento terrível é a culpa”.
Dentro do tema de meio ambiente, a economia de água foi a que mais gerou debate, quando Fernanda Young criou polêmica sobre a importância dessa causa, diante de tantos outros problemas no mundo, como as crianças que esperam para ser adotadas e a miséria no Brasil. “Se você tem filhos, netos, eles vão precisar de água para beber, é tão primordial como as crianças que estão nas ruas e precisam ser adotadas”, respondeu a cantora Preta Gil.
“Hello!”
Val Marchiori, socialite e apresentadora, marcou presença com seu “Hello!” típico. “Minha causa é ambiental”, disse. Val tem uma casa em Angra dos Reis, se tornou embaixadora da cidade e promove a educação ambiental em escolas, com moradores e turistas. “A gente tem filho, daqui a 50 anos queremos ver tudo aquilo lá em Angra. Qualquer causa, se for de uma entidade idônea, eu apoio”.
A preocupação com o meio ambiente também dominou a fala de Marina Person. “Quando falamos de sustentabilidade, todo mundo – de uma maneira ou de outra – está preocupado com isso. Mas existe a culpa, e quanto mais você sabe, mais você tem culpa”. Ela defendeu as pequenas atitudes que geram grandes mudanças. “Tem um pensamento que é um pouco clichê, mas eu incorporo na minha vida e tento propagar o máximo possível: pense globalmente, haja localmente”, disse.
As personalidades falaram sobre o engajamento das crianças na causa ambiental. “Os filhos também educam a gente. Minha filha me cobra fechar a torneira na hora de escovar os dentes”, disse a modelo Caroline Bittencourt. “Minha neta já nasceu com esse assunto. Em uma madrugada ela acordou desesperada, teve pesadelo com o aquecimento global”, contou o ex-jogador Raí.
Autoestima
“As causas ambientais são importantes, mas não são as que mais me motivam. Eu vim aqui hoje para falar de autoestima”, disse Preta Gil. A cantora defendeu as mulheres, que devem procurar conquistar sua autoestima independente dos estereótipos de magreza, cor da pele ou tipo de cabelo. “Não conquistei autoestima do dia para a noite. Sou negra, brasileira, bissexual, são muitos preconceitos que carreguei nas minhas costas e sempre deixei que as pessoas falassem sozinhas. Algumas falam demais e para isso existem advogados”, afirmou.
Uma das causas de Caroline Bittencourt é o combate à anorexia, tema que estuda. Ela lembrou que os distúrbios alimentares afetam mulheres das mais diferentes idades e provocam problemas de saúde. “Por causa da baixa autoestima, as mulheres desenvolvem algum problema”, disse. “Tenho o direito de entrar em uma loja e achar roupa para mim, eu trabalho, sou consumidora”, afirmou Preta Gil, sobre a moda “plus size” – para gordinhas.
A jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle disse que sua nova causa está relacionada ao consumo de roupas produzidas por pessoas em condições de trabalho escravo. “Eu amo a Zara, mas não vou entrar na loja. É apenas uma das empresas brasileiras que usam a cadeia produtiva do trabalho escravo de empresas terceirizadas”, disse. “Não comprar é o maior poder que temos”, apontou Marina Person. “Não comprar e repercutir nas redes sociais”, completou Astrid.
Quem tem poder?
Diante da escolha de não comprar e boicotar as empresas, o consumidor tem o poder de ajudar a melhorar a vida no planeta. “Temos que procurar entender a procedência do produto, de onde vem, como é feito, se tem agrotóxico, se é transgênico, se é orgânico”, disse Marina. “Quando tiver impacto na venda é que vai ter uma mudança de atitude, cada consumidor é importante e tem poder, através do ato de consumir você pode ajudar a transformar a sociedade”, apontou Raí.
O ex-jogador falou sobre sua experiência na Europa, onde percebeu que o engajamento das comunidades em uma causa coletiva era mais comum do que no Brasil. “Se você está se engajando sozinho, alguma coisa está errada. Para que funcione, tem que envolver mais pessoas, agindo e pensando coletivamente”, disse Raí, que fundou, junto com o ex-jogador Leonardo, a Fundação Gol de Letra em 1998. A entidade atende a crianças e jovens de comunidades carentes, com atividades ligadas a esporte, educação e cultura.
Mas não basta que as causas engajem os famosos, se a sociedade não comprar a briga. “As pessoas às vezes cobram das celebridades uma atitude. Não adianta vestir uma camisa se todos não tiverem vontade política para mudar alguma coisa”, disse Paulo Zulu. “É muita cobrança, parece que você tem mais poder que do que um cidadão comum. Somos comuns também”, afirmou Fernanda Young. “Mas temos mais visibilidade. Somos formadores de opiniões”, apontou Astrid.
O consumidor brasileiro é...
No final do painel, uma das perguntas da plateia foi: defina o consumidor brasileiro em uma palavra. Confira as respostas de algumas celebridades:
Fernanda Young e Astrid Fontenelle: mal informado
Val Marchiori: exigente
Marina Person: ávido
Caroline Bittencourt: inconsciente
Para Domeghetti, do ponto de vista financeiro é importante saber quanto vale o cliente. Segundo ele, quando analistas e investidores, por exemplo, olham para a saúde de uma companhia, avaliam um conjunto de variáveis de ordem financeira, como a participação no mercado e a rentabilidade. Mas algo mais importante do que isso seria avaliar com lupa quem é o cliente, qual o seu share of wallet, entre outros fatores relacionados a ele. “Essa pode ser a equação perfeita”, ressalta o executivo.
Nesse sentido há ainda entre área de marketing e a financeira das empresas um grande impasse. “Esse dois setores não conversam com a mesma linguagem. Por isso, fica difícil para o financeiro das companhias entender o trabalho realizado pelo marketing e qual o seu real impacto nos negócios da empresa”, aponta Gonzalez.
Neste contexto, Domeghetti lembra que a área de marketing e de relacionamento com o cliente é responsável pela gestão de ativos que geram valor. “Quanto ele diz que a área financeira quer conhecer a área de marketing, ele quer mostrar que é preciso contabilizar o gasto e o retorno que traz esse departamento”, explica.
Para resolver a situação, diz Gonzales, as empresas estão montando comitês de trabalho com representantes de cada uma das áreas para que retratem fielmente o que é feito. “O risco que há de perder clientes caminha mais fácil para partir para mensuração. Explicando esse risco, mesmo que não seja em números, toda a empresa pode entender”, coloca.
De acordo com o CEO da DOM, o setor financeiro quer que a companhia tenha o maior retorno e se for convencido de que o trabalho do marketing é importante, será o primeiro a apóia-lo. “O gestor de marketing e de cliente deverá colocar um business case naquilo que faz. Não dá pra pensar em estratégia corporativa sem integração dessas áreas”, finaliza.
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