O dilema da ouvidoria: ser a voz do cliente na empresa ou a voz da empresa perante o cliente? - este foi um dos temas do painel Consumidores e Comunidades no segundo dia do CONAREC 2011Mediado pelo diretor do Bureau Sapientia e membro do comitê setorial de ouvidoria da ABRAREC, Fábio Lopes Soares, o debate sobre o papel das ouvidorias durante o CONAREC 2011 lançou questionamentos sobre a causa e a postura dos ouvidores dentro dos setores bancários, público e privado.
O aculturamento do papel do ouvidor, o entendimento das relações de consumo, a importância do diálogo interno, entre outras análises fundamentais para a compreensão de uma ouvidoria, foram pontuados como características fundamentais no processo e na criação de uma ouvidoria no Brasil.
Para Júlio Marques, ouvidor do Banco Bradesco, o papel de uma ouvidoria é o de “ter o compromisso com a verdade”. “No Bradesco prezamos a imparcialidade. Procurarmos a verdade em cada caso que chega à nossa ouvidoria, seja um erro do banco ou uma reivindicação enganada do nosso
cliente”. O processo de trabalho de uma ouvidoria também foi ressaltado por Marques. “Reuniões pontuais, análise de projeto e ações, antes mesmo de serem oferecidos aos nossos clientes, tudo isso também passa pela nossa ouvidoria”.O ouvidor do Banco do Brasil, Sérgio Camilo, também compartilha desta mesma postura, porém, acrescenta que o ouvidor deve ‘atender’ como se aquela causa você sua. “A parte nobre de uma ouvidoria é transformar essas questões em produtos e serviços mais adequados. O consumidor deve ficar satisfeito, assim como a instituição financeira também. O ouvidor deve mergulhar na causa como se fosse sua”.
Investir na educação financeira. É isso que Hélio Ferreira, ouvidor do Banco Central, ressalta como mais importante em uma economia crescente e também como papel do ouvidor. “Claro que nós temos que dar voz ao nosso cidadão dentro de uma ouvidoria, mas temos que estabelecer relações com esses clientes. A responsabilidade de entender seu cliente, o cidadão e, além do mais, aculturar essa pessoa para sua responsabilidade como consumidor num processo econômico pujante é também papel do ouvidor”.
Lúcia Farias, ouvidora do Grupo Algar Tecnologia, lembrou que a ouvidoria “é um setor estratégico numa instituição ou empresa e que uma ouvidoria não é SAC”. Para Lúcia, são setores de extrema importância, cada qual com seu papel. “A ouvidoria como última instância deve atuar como parceiro das outras áreas da empresa. A comunhão de pensamentos é um fator determinante na gestão de uma ouvidoria. O SAC, por sua vez, deve ser um canal de volume e não de estratégia”.Para Cláudio Montoro Puglisi, ouvidor do Sebrae de São Paulo e presidente da Associação Brasileira dos Ouvidores (ABO) “o microempreendedor é o responsável por este papel de ouvidor na sua empresa. Se ele não tiver atento ao movimento do mercado e aos seus clientes ele perderá terreno e não terá ninguém para alertá-lo”.
Na opinião de Maria Inês Fornazaro, ouvidora da câmara municipal de São Paulo,“não há dilema. Essas questões são inerentes ao nosso papel de ouvidor. Temos sim é que atuar com a maior isenção e compreensão possível. Encontrar o equilíbrio nessa relação com o consumidor, com o seu cliente, mostrando que cada um desses pequenos contatos são uma oportunidade. É para isso que atuamos. Nossa posição é uma posição de harmonia, e acima de tudo de relação e não de conflito”.
O consumidor está cada vez mais exigente. Do outro lado da linha, o atendente muitas vezes não consegue resolver um problema por falta de ferramentas ou do histórico integrado de relacionamento com o cliente. O tema foi abordado por Cláudio Luiz Nunes, executivo de desenvolvimento de negócios - CRM da SAP na palestra “Contact center integrado: um conceito para fazer a diferença na gestão de clientes”.
Segundo Nunes, a exigência dos consumidores aumentou devido a diversos fatores, como a ascensão da classe média, aumento do emprego e do surgimento de novos canais de interação, como as redes sociais, e da mobilidade. Por isso, os consumidores ficam frustrados quando o contact center não consegue resolver seu problema prontamente. “São milhares de profissionais de atendimento que tentam fazer o melhor serviço, mas às vezes falta algo, como uma ferramenta para integrar diversos sistemas e lidar com várias telas. As estratégias de contact center integrado facilitam a vida do consumidor e do atendente”, disse.
Um exemplo de falta de integração: o cliente liga para a URA e é solicitado que digite seu CPF, depois, quando fala com o atendente, tem que repetir seus dados. “Isso é a ausência de interação para saber o histórico do consumidor. O que gera frustração nos funcionários e consumidores, além de gestores se sentem pressionados para mudar a situação”, afirmou Nunes.
Diante de tantos desafios, o executivo da SAP apresentou algumas soluções de contact center integrado que a empresa possui, para gerenciamento de multicanais. “Em uma mesma plataforma, integramos chat, PABX, script, e-mail, CRM, redes sociais, entre outros. Essas interações ficam armazenadas em um único lugar e acessível para todos os colaboradores”, disse. O sistema também pode sugerir ofertas para o atendente oferecer ao consumidor, de acordo com a segmentação dos dados.
Para os supervisores, a ferramenta possibilita o monitoramento dos fluxos e das interações dos agentes, com notificações de ações preventivas e corretivas. O contact center torna-se, então, estratégico para a empresa. “Não é possível tomar decisões sem informações. O contact center por mudar do centro de despesa para o centro de lucro da empresa”, afirmou.
Como as empresas devem interagir e conversar com o cliente? Para especialista, para falar com esse público é preciso entender o universo online
seu consumidor é preciso ter um conteúdo valioso, proporcionar entretenimento e prestar um serviço. Com esses requisitos, com certeza a marca será fortalecida” enfatiza o diretor.
Reproduzir a liberdade de expressão que as pessoas usufruem nas redes sociais no ambiente corporativo. Essa é a chave para evitar problemas relacionados a eventuais usos indevidos desse tipo de ferramenta que possam prejudicar imagem, resultados e ou valor das ações de uma empresa. Em resumo, os seus negócios. E para isso é preciso agir com transparência. Essa é a avaliação feita por Marineide da Silva Peres, diretora de Talentos Humanos da Algar Telecom, participante do painel Transparência 3.0 - há limites para a privacidade no relacionamento entre empresa e colaboradores no Facebook?, do Conarec 2011.
“O importante é ter transparência porque se isso acontecer, os colaboradores terão a mesma liberdade de dizer o que pensam, que eles têm nas redes, dentro da empresa. E acrescenta. “É um processo de educação. Valorizar pessoas é tratá-las como adultas. O monitoramento, sozinho, ajuda. Contudo, ele não resolve todos os problemas. Além disso, é muito importante que as pessoas estejam cientes de que estão sendo observadas. É, novamente, uma questão de agir com transparência”. Nesse sentido, a Algar Telecom possui um Código de Conduta, além de diretrizes para o comportamento no mundo virtual, principalmente sobre atitudes de colaboradores que corram o risco de afetar os negócios da empresa que possui capital aberto e, portanto, está ainda mais exposta.
O cliente passa a ser cada vez mais exigente, a empresa passa a cobrar cada vez mais de seus colaboradores. Ou seja, questões cruciais como engajamento interno acabam sendo deixadas de lado. E aí como resolver?
“Mas como seria isso na prática?”, questiona a mediadora, Márcia Almstrom, diretora de RH da Manpower. “Pensando, por exemplo, na cabeça, coração e bolso do funcionário”, exemplifica Telma Rodrigues, diretora de RH do Magazine Luiza. “Na prática, adotamos uma política de meritocracia, levando-se em conta o desempenho do colaborador; promovendo oportunidades, envolvendo ganhos financeiros, e criando novos projetos ligados a engajamento”, explica.
Confira aqui a cobertura completa do maior evento de relacionamento com o cliente do Brasil, Conarec 2011
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