Redes sociais: a nova caixinha de críticas e sugestões

A existência da rede social como mais uma forma de comunicação nas mãos do cliente só amplifica a urgência de estar preparado para usar este canal a favor da empresa
 
 
 
“Por que os consumidores se expõem à exaustão na internet? Pra quê serviço secreto se hoje é possível saber tudo sobre todos nas redes sociais?”, brincou o jornalista William Waack ao abrir o painel “Os limites do engajamento. Por que os consumidores se expõem à exaustão nas redes sociais e desconfiam das empresas?”, no segundo dia do Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente (Conarec).
 
Respondendo à questão proposta pelo Conarec, Michel Sarkis, presidente da Contax, acredita que conquistar a confiança do consumidor é fundamental. “Se trabalharmos para levar a informação ou a solução quando ele precisa, vamos reduzir a questão da desconfiança, seja qual for o canal que ele tenha usado para falar com a empresa, e até reduzir o risco de denegrir a imagem de uma companhia”, afirmou.
 
Nesse contexto, tratar o consumidor de forma a ganhar tempo para dar uma resposta que ele pede é um erro. “Hoje se fala muito de multicanal e isso significa falar de uma solução que não interrompa a comunicação”, comentou Sarkis. “Mas independente disso, temos que derivar total foco e esforço empresarial para resolver problemas internos e que levam o consumidor a desconfiar e denegrir a imagem de uma companhia”, finalizou.
 
Esse é um dos maiores desafios que certamente todas as empresas tem.  “Você é tão bom quanto a última prestação de serviço que você acabou de oferecer”, comentou Thomaz Cabral, presidente da SulAmérica. “E quando falamos de confiança, diante do consumidor, é fundamental agir com rapidez e ser transparente”.
 
Conquistar a confiança realmente não é um trabalho fácil ou rápido. Demanda tempo e atitude pró ativa. “O cliente tem um senso muito crítico e cada vez mais usa a rede social para se expressar”, argumentou Omar Magid Hauache, presidente do Grupo Fleury. Diferentemente da relação em que há via telefone, na qual a comunicação é de um para um, na rede social é possível expressar-se a um público maior. “O consumidor quer que sua opinião chegue a mais pessoas. E ali, quando reclama, ele não se expõe mais do que precisa se está irritado”, completou.
 
Mas como lidar tanto com reclamações quanto com elogios na rede social? A resposta para Hauache é ser pró ativo e responder em tempo real. “Se a empresa realmente errou e reconhece isso, responde e fala o que fez para resolver, o consumidor vai elogiar; vai ficar satisfeito”, afirmou.
 
Para Newton Neiva, presidente da Visa Vale, tornar-se uma empresa que já avançou pelas redes sociais envolve riscos. “Há companhias que são on e off. A on tem canais nas redes sociais e desenvolve a prestação de serviço ao público. A off observa e tenta entender o que acontece”, comparou. E mudar de posição, segundo o executivo, envolve um risco que pode vir a prejudicar a imagem da empresa se não houve controle.
 
Porém, nos dias atuais e diante do fato irreversível de que as redes sociais já tem seu espaço entre os consumidores, estar aberta ou não para o mundo virtual, não é mais uma opção da empresa. “As companhias estarão abertas na medida em que tem clientes com acesso a essa ferramenta para manifestarem sua opinião”, concluiu Marcelo Epstejn, diretor-geral do Uol.
 
Para Epstejn , não há mais como a empresa escolher que canal o cliente irá usar e como. A única resposta possível das empresas é “tratar cada demanda, respeitando sempre a individualidade do cliente e estar atento e preparado para o que vem por aí”.
 
Como preparar-se?
 
Segundo Sarkis, presidente da Contax, a existência da rede social como mais um canal de comunicação para o cliente só amplifica a urgência em relação à necessidade de estar preparado, ter um canal de contato disponível na rede, soluções inteligentes e processos. “Sem este canal, a empresa perde o que o consumidor traz via dados, muito mais do que traz via voz, e isso vai ser decisivo na linha do tempo”, comentou. “Pouca gente vai entrar numa rede social pra falar mal de forma gratuita. Sempre há um motivo e o líder tem que parar frequentemente para ouvir e entender o que o cliente diz, além de tratar o problema para chegar a uma solução”.
 
“Temos que entender tudo o que consumidor fala para melhorar”, acrescentou Agricio Silva Neto, vice-presidente de marketing e programação da Sky. “É um processo que não tem fim”.
 
O presidente do Fleury, Hauache, concordou e não vê a necessidade de mudar o modelo de negócio a fim de permitir a internalização do que o consumidor deixa nas redes sociais. “É preciso se ajustar. Temos que ser ágeis em usar as redes sociais em prol do negócio”, afirmou.
 
Uma cliente cadeirante do Fleury foi a uma unidade da marca que estava apta a receber pacientes com deficiência. “Era o que nós achávamos”, contou Hauache. “Mas a experiência da cadeirante não foi boa e ela reclamou no blog dela. Fez até uma crítica construtiva, que o nosso monitoramento identificou. Ligamos pra a cliente para entender a questão, adequamos a unidade em 15 dias e a convidamos a voltar para ver o que havíamos feito. Esse é um exemplo de como usar a rede social a favor da empresa”.
 
Cliente interno
 
Assim como as centrais de relacionamento, as redes sociais podem trazer aprendizados sobre o perfil do consumidor, suas necessidades e desejos e ideias que contribuem na melhoria de produtos e serviços. Mas e quanto ao colaborador? De que forma a rede social pode ser usada? E por que proibir o acesso às redes sociais, se é uma ferramenta tão vital para entender o cliente?
 
A pergunta proposta pelo público aos executivos não causou constrangimento.  “O colaborador é o que mais conhece a empresa. Não ouvi-lo é ilógico”, prontamente respondeu Hauache, do Grupo Fleury.  “Claro, não somos perfeitos e é devastador ve-lo reclamar na rede social. Porém, tem motivo e temos que entender esse motivo”, completou.
 
Para Epstejn, do Uol, além de manter uma comunicação aberta, é preciso acreditar na equipe e dar poder de decisão com regras claras. “Se temos a pretensão de sermos a preferido do cliente, primeiro temos que se a preferida do colaborador”, acrescentou Cabral, da SulAmérica.
 
Quanto ao acesso à rede social, todos foram unânimes: desde que não atrapalhe a produtividade, não é proibitivo. “Tem que saber quais são limites”, comentou Hauache. “Tem que usar com moderação”, finalizou Sarkis, da Contax.
 
A existência da rede social como mais uma forma de comunicação nas mãos do cliente só amplifica a urgência de estar preparado para usar este canal a favor da empresa

“Por que os consumidores se expõem à exaustão na internet? Pra quê serviço secreto se hoje é possível saber tudo sobre todos nas redes sociais?”, brincou o jornalista William Waack ao abrir o painel “Os limites do engajamento. Por que os consumidores se expõem à exaustão nas redes sociais e desconfiam das empresas?”, no segundo dia do Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente (Conarec).

Leia mais: Redes sociais: a nova caixinha de críticas e sugestões

 

Monitore do jeito certo

Diretor da Alterian apresentou soluções para monitoramento inteligente das redes sociais com base no case do programa televisivo de maior sucesso nos EUA
 
 
 
O consumidor não aceita mais a ditadura do monólogo empresarial. Com o advento das redes sociais a voz do outro lado do balcão passou a ser mais alta e com isso, o marketing mudou para sempre. Matt Gault, diretor para a América Latina da Alterian explanou esse assunto no painel “Marketing, engajamento e lucratividade: como CRM social ajuda a alavancar o ROI” ilustrando com o case do Super Bowl 2011. “É preciso engajar o consumidor, e não apenas temer o que ele vai falar sobre sua marca”, diz.
 
 
 
O Super Bowl é o programa televisivo de maior audiência nos Estados Unidos, alcançando cerca de 111 milhões de pessoas. A atração é dona dos 30 segundos mais caros do país para as marcas anunciarem seus produtos e serviços, mas o retorno é compensatório.
 
 
 
Gault explicou o monitoramento feito pela Alterian, utilizando a solução Alchemy, em redes como Facebook, Twitter, YouTube e blogs diversos sobre as conversas relacionadas ao Super Bowl e as marcas anunciantes. “Em 2011 houve 40% a mais de conversa sobre o evento do que no ano passado. Ao todo foram 241 mil conversações somente sobre as marcas, 55% a mais que 2010”.
 
 
 
Mais do que um simples monitoramento em tempo real, a Alterian acompanhou as menções às marcas 30 dias antes do evento, durante o jogo e 30 dias após, sendo que metade dos dados corresponde apenas ao dia do evento, separando entre impressões. “Queríamos entender se estavam falando de forma positiva ou negativa. Entender o custo da impressão social”.
 
Gault diz que foi possível constatar grandes diferenças entre os períodos, com destaque para a Motorola, que nem chegou a ser citada antes do evento, mas alcançou o sexto lugar de menções na data do jogo.
 
 
 
Antes do evento, a Chrysler e a Pepsi foram as mais citadas, devido a ações promovidas principalmente pela internet. Durante o jogo, a Volskwagen foi a mais citada positivamente, seguida da Chrysler e Pepsi. O Groupon também foi muito citado, mas de forma não tão positiva assim. Já a empresa que soube melhor usar a longevidade foi a Chrysler, citada até 30 dias após o Super Bowl 2011.
 
 
 
Como aprendizado para os próximos anos, Gault sugere que as empresas invistam em teasers prévios de seus anúncios utilizando recursos como o YouTube. “O Groupon deveria investir antes do jogo para medir a popularidade. Muitos nesse ano tiraram comerciais mal vistos do ar após o jogo”, diz.
 
Diretor da Alterian apresentou soluções para monitoramento inteligente das redes sociais com base no case do programa televisivo de maior sucesso nos EUA

O consumidor não aceita mais a ditadura do monólogo empresarial. Com o advento das redes sociais a voz do outro lado do balcão passou a ser mais alta e com isso, o marketing mudou para sempre. Matt Gault, diretor para a América Latina da Alterian explanou esse assunto no painel “Marketing, engajamento e lucratividade: como CRM social ajuda a alavancar o ROI” ilustrando com o case do Super Bowl 2011. “É preciso engajar o consumidor, e não apenas temer o que ele vai falar sobre sua marca”, diz.

Leia mais: Monitore do jeito certo

 

Brasil para os brasileiros

Engajar os brasileiros na maior causa possível - o próprio país – não é tarefa fácil, mas aos poucos vem alcançando resultado positivo 

Há 40 anos, o Brasil era visto como o país do futuro, sem nenhum presente, passado ou qualquer razão que o fizesse se tornar algo crível, que despertasse a confiança das outras nações e, principalmente, dos brasileiros. Hoje, o Brasil é a bola da vez mundo afora. Os 36 milhões que adentraram a classe média nos últimos anos, e os 28 milhões que saíram da pobreza extrema, ajudaram a melhorar essa visão, mas outros fatores também foram determinantes. Sobre isso tratou o painel “Uma causa chamada Brasil”, no segundo dia do Conarec 2011, apresentado por Yole Mendonça, secretária-executiva de comunicação social da Presidência da República. “A maior causa do Brasil nos últimos anos é ele próprio. Antes a visão era de que tínhamos tudo, mas nada ia para frente”, afirma. 

Leia mais: Brasil para os brasileiros

   

De olho no cliente

Banco Itaú realiza monitoramento das redes sociais com objetivo de prestar um bom atendimento e surpreender os clientes

Surpreender o cliente é um grande desafio para as empresas, principalmente agora com a nova possibilidade e novos canais de comunicação. Ciente disso o banco Itaú implantou um sistema de monitoramento das redes sociais.

De acordo com Luciano Giometti Nicolosi de Oliveira, executivo de Projetos Itaucard, do Banco Itau , 90% dos clientes portadores de cartões de crédito Itaucard utilizam primeiramente o contato telefônico para se comunicarem com a empresa, porém se não houver solução, entram em contato por meio das redes sociais.  “É uma mídia consolidada que não tem retorno. Trata-se de uma realidade que pode impactar diretamente na imagem da empresa. Por isso realizamos diariamente o monitoramento desses canais”, afirma Oliveira.

O executivo esclarece que todos os comentários postados nas redes sociais são classificados em positivos, negativos e neutros, e encaminhados para a área responsável que, posteriormente, entra em contato com o cliente por telefone, através da central de atendimento. “Por se tratar de dúvidas referente ao cartão de crédito, não fazemos contato pelas redes sociais por questão de segurança”, revela.

Segundo dados divulgados pelo executivo, num período de uma semana a divisão de cartões de crédito do Itaú monitorou 764 postagens somente no Twitter. Desse total foram abertos 192 processos a serem tratados.



 

Com a boca no trombone

O consumidor, atualmente, usa pelo menos três canais de contato para fazer uma reclamação. As empresas precisam estar atentas a isso

Muitos são os motivos que leva o usuário de um produto a buscar por um serviço de atendimento ao cliente, ou mesmo mandar um email, ou fazer uma reclamação via alguma rede social. Hoje, o consumidor normalmente usa 3, 4 ou 5 meios para se comunicar com a empresa. “Vivemos um tempo que é cada vez mais comum o telefone se tornar o último recurso usado pelo cliente para se comunicar com a empresa. E, quando chega neste caso, é para cancelar o serviço” diz Oscar Alban, consultor de marketing global da Verint Witness Actionable Solutions, em palestra no Conarec 2011. 

Com mais frequência do que se imagina, muitas empresas deixam problemas que poderiam ser resolvidos no atendimento ao cliente se tornarem verdadeiras crises. “Muitas reclamações são feitas antes que algum fato problemático tome proporções gigantescas. Infelizmente, nem todas as empresas tem o hábito de acompanhar a rotina de seus call centers”, conta Alban e acrescenta “Hoje, mais do que alguém que saiba atender bem, é preciso que o profissional saiba ler e escrever corretamente, afinal é esse funcionário que irá representar a sua empresa”.

Junto com o Oscar, o diretor de planejamento da Vivo Luciano Goulart Paz trouxe para exemplificar o tema da palestra alguns cases da operadora que tem contribuído para a diminuição de reclamações dos clientes “Hoje, para gente é um desafio ouvir a voz do cliente. Para isso, implantamos novos produtos e projetos para pontuar quem são as pessoas reclamantes” conta Goulart e acrescenta “Em primeiro criamos o ‘Malling Prioridades’ - identificando quem é o cliente ofensor, aquele que encaminha a reclamação para a Anatel. Numa segunda fase, criamos o ‘p-Anatel’ – identificando os clientes com tendências a se tornarem reclamantes. E, numa última fase, criamos o ‘Agentes Ofensores’ – em que é feita a identificação de funcionários mal treinados para recolocá-lo dentro da companhia”, conta.  

Ambos ressaltam que além de todas essas ferramentas, é importante que a empresa tenha uma ação imediata quando há uma reclamação.

 

Vale lembrar que, mesmo com tantas ferramentas para resolver o problema do consumidor, é sempre melhor prevenir do que remediar.

 

   

Página 2 de 75