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Shoppings investem de olho nas classes C e D
Shoppings investem de olho nas classes C e D
Nov 23
|08:57
Administradores de shopping centers estão de olho no aumento do poder de consumo das classes emergentes e já começam a lançar empreendimentos desenvolvidos especialmente para atender a esse público, que movimenta R$ 760 bilhões por ano, segundo números do instituto Data Popular. A ideia é investir em malls próximos a locais de grande circulação de pessoas e bairros em que os centros de compras ainda não chegaram.
Segundo Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o interesse dos empresários em construir centros de compras em bairros cujo público tem menor poder aquisitivo deve-se ao aumento do contingente de pessoas que ingressaram na classe C (20 bilhões de pessoas, nos últimos 4 anos). "O empreendedor de shopping procura locais onde há carência de centros de compras e lazer. E essa classe está querendo comprar em shopping, por isso a classe C tornou-se economicamente mais interessante para o comércio."
De acordo com Marcos Romiti, CEO da Rep Empreendimentos, que também é dona do Shopping Center 3, o shopping popular é um conceito de centro de compras pensado segundo as necessidades dos consumidores das classes sociais mais baixas. "É preciso entender que um shopping para a classe C e D+ não é uma galeria, é um espaço para abrigar lojistas que antes achavam caro montar uma loja em shopping." No próximo ano a empresa pretende inaugurar o Shopping Mais, no Largo Treze de Maio, um dos maiores pontos de fluxo de pessoas da zona sul de São Paulo, com circulação de 1,5 milhão de pessoas por dia. O empreendimento contará com 400 lojas, inclusive grandes nomes do varejo, como: Magazine Luiza, O Boticário, Drogaria São Paulo, McDonald's, Casa do Pão de Queijo e Giraffas. "Nossa expectativa é de que o estabelecimento movimente entre 20 e 30 milhões no primeiro ano", conta Romiti. "Estamos colocando lojas grandes e em um mesmo shopping pomos também lojas menores, de 8 a 12 metros quadrados, o que possibilita ao pequeno varejista entrar em um shopping sem ter todos os custos de uma loja maior, com todas as despesas de investimentos que são necessárias para isso."
O exemplo para o empreendimento paulista vem do sul, onde o Shopping Total recebe 900 mil pessoas por mês. Inaugurado em 2003 na capital gaúcha, o empreendimento é, hoje, considerado sucesso na área de shoppings populares. "Chegamos à conclusão de que construir um centro de compras como os outros seria apenas repetir a fórmula consagrada. Resolvemos criar um modelo para abrigar lojistas de rua em uma localização de fluxo intenso." O diferencial do mall é oferecer aos visitantes um mix variado de lojas populares que inclui grandes nomes do varejo popular, praça de alimentação e entretenimento, e é perto de locais de grande circulação de pessoas. "Evitamos o modelo comum, porque hoje, em função do câmbio, a classe AB compra fora do País." "Antes de entrar no mercado de Porto Alegre fizemos pesquisas para avaliar as particularidades da região e depois começamos a investir em publicidade voltada ao consumidor C e D+."
Para comprar em um shopping, os moradores de Diadema (SP) eram obrigados a ir a cidades vizinhas como São Bernardo, São Caetano e São Paulo, mas, em maio, com a inauguração do Shopping Praça da Moça, houve uma inversão na migração de consumidores. Há apenas seis meses em funcionamento, o empreendimento atrai a atenção dos moradores das cidades vizinhas, conta Wilson Pelizado, gerente geral do centro de compras. "Resolvemos abrir o shopping na região por causa da carência de áreas deste tipo na cidade", que receberá as primeiras salas de cinema em fevereiro do próximo ano. Em média, o shopping já recebe 35 mil pessoas por dia. Estão em construção no empreendimento sete salas com capacidade para 1.800 pessoas que serão administradas pela Playarte.
Fonte: GS&MD
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