Renan
Ago 03
|16:35
Na visão de Nelson Rodrigues, dramaturgo e cronista, uma partida de futebol seria a metáfora da batalha vital de paixões e de tragédias que move a existência humana.
Hoje, o futebol brasileiro traça uma dura batalha entre o “futebol-arte”, dos saudosos Garrincha e Pelé (revivido pelos atuais Ganso e Neymar), contra o “futebol-espetáculo” da especulação por parte da mídia, da “cartolagem”, da arbitragem duvidosa, dos ingressos caros e do festival de patrocínio estampado nas camisas dos clubes.
No meio desse campo de batalha temos o torcedor, um "Sacho Pança" moderno, fiel escudeiro do seu clube, que o acompanha faça chuva ou faça sol, na alegria ou na tristeza, na vitória ou na derrota.
Para o pujante mercado brasileiro, o torcedor, “a bola da vez” neste segmento, é uma oportunidade comercial, um atacante na cara do gol. Mas, como os clubes podem atrair e fidelizar este indivíduo? Como as novas tecnologias, como a Internet, ajudam nessa "batalha"? E a pitaria, como combater este “invasor”?
Segundo o presidente do Santos F. C., Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro “obviamente o torcedor quer ver grandes espetáculos”. Para manter esse torcedor presente e consumindo freqüentemente o desafio está em abrir outros caminhos que vão além da performance esportiva.
Hoje a Internet joga fora das quatro linhas pelos clubes na velocidade de um ponta esquerda no auge da forma física. Com um site oficial bem estruturado; mais de 40 mil seguidores no Twitter, média de 1 milhão de visualizações por dia em sua página no Youtube; 200 mil visualizações por mês em sua página no Flickr - com mais de 2 mil fotos publicadas-; perfil oficial no Orkut e uma página no Facebook prestes a ser inaugurada, o Santos FC tornou-se rapidamente em um dos clubes mais "online" da América Latina.
“Entendemos que as redes sociais são um termômetro importante e instantâneo dos impactos que o Santos FC provoca. Por isso, nossos departamentos de comunicação e marketing monitoram essas redes diariamente e extraem informações e ideias importantes”, confirma Ribeiro.
“O torcedor quer se relacionar com o clube, sentir-se parte importante do universo do time, dar opiniões, ter algum tipo de acesso privilegiado. Quando você proporciona isso, o torcedor se torna mais ativo comercialmente, consome mais produtos, vai aos jogos, multiplica seu investimento no clube, afinal, o dinheiro que ele gasta passa a ser visto como um investimento”, completa.
Na batalha contra a pirataria os esforços não recaem somente sobre os clubes, mas sobre toda a sociedade - assim como a pirataria não aflige somente o futebol. "O combate à pirataria é, principalmente, responsabilidade do poder público. Obviamente, fazemos a nossa parte sendo vigilantes no mercado e monitorando esforços de venda pela Internet, por exemplo”, declara Ribeiro.
Uma ação importante foi realizada recentemente neste sentido pelo clube: todos os produtos oficiais do Santos FC terão selos holográficos que garantirão a originalidade e procedência do produto. “Além de ser uma atitude para inibir a pirataria, é um sinal de respeito com o torcedor”, acrescenta o presidente.
De olho na Copa
Mais do que uma batalha contra burocracias, interesses comuns e uma corrida contra o tempo, a Copa 2014 é uma janela de oportunidades imensa para o país e para os clubes. Um divisor de águas para o “produto” futebol, de como ele é consumido e visto pelo torcedor.
No que diz respeito ao Santos FC, segundo o seu presidente “o objetivo é ser a sede de preparação de uma grande seleção, pela estrutura que o clube oferece e pela proximidade com a cidade de São Paulo. Isso significa ter rede hoteleira suficiente para a demanda, transporte de qualidade, segurança e conforto”.
Em suma, a bola já está rolando e não haverá prorrogação. Cada cidade, clube ou organização que quiser buscar resultados comerciais em virtude da Copa deverá se antecipar e se adequar às expectativas e necessidades do público, geradas pelo maior de todos os espetáculos.
E a boa notícia é que este assunto será tema de um dos painéis do CONAREC 2010: “O futebol brasileiro entra na moda. Como atrair, fidelizar e incrementar negócios com o mais fanático dos clientes, o torcedor”. Preparado? Então, entre em campo!
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