CONAREC 2020. Anormal e antinormal: o despertar de um consumidor em reconexão.

Efeito Ctrl + Z: as novas dinâmicas propostas pelos nativos digitais

Escrito por | 6 de setembro de 2018 | 2 anos atrás

Antropólogo Michel Alcoforado explica como a geração Z olha para os X e Millenials e constrói seus conceitos

Quando falamos em uma nova geração, sempre buscamos entendê-la. O desafio é saber como aquelas pessoas se comportam ao consumir, como agem nas redes sociais e como se relacionam umas com as outras. Para fazer isso, criamos algo linear: Baby Boomers, X, Y (Millenials) e Z.

Porém, não podemos mais fazer este tipo de separação entre as gerações. Pelo menos é o que defende Michel Alcoforado, antropólogo e fundador da Consumoteca. Em palestra ministrada durante o CONAREC (Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente), Alcoforado explicou quais paradigmas a geração Z está quebrando, afirmando que este grupo de pessoas é como uma junção das características e comportamentos das gerações X e Y. Para ele, pensar nas gerações apenas como uma sequência de letras nos transmite a ideia de que uma se afasta cada vez mais da outra.

Efeito Ctrl + Z

“Nunca uma geração teve tanto poder de decisão quanto a geração Z”. A afirmação do antropólogo vai de encontro ao que ele chama de “efeito Ctrl + Z”. Os jovens nascidos depois de 2000 podem escolher por qual empresa querem ser atendidos, podem apagar comentários que julgam infelizes nas redes sociais e reclamar seus direitos em várias plataformas de contato com as empresas. Tudo isso é herança dos Millenials, que sofrereram as dores das rupturas de padrões.

Alcoforado fundamenta seu argumento em uma pesquisa feita com 3.000 pessoas da geração Z que mostrou – entre outras coisas – que 41% deles já decidiram a carreira que vão seguir e 47% já possuem alguma fonte de renda. Lembrando que em 2018, os primogênitos dessa geração completaram 18 anos.

Este último dado é explicado por uma frase: “a geração Z quer unir o útil ao agradável”, e sabe como ninguém como fazer isso. Para a geração X, trabalho significa estabilidade financeira. É o que é necessário para pagar as contas e nada mais. Já a geração Y questionou este modelo, buscando o emprego dos sonhos. A prioridade é fazer o que gosta, ganhar bem se torna secundário.

Enquanto isso, os Z olham para os dois conceitos e tentam aproveitar o melhor de cada. Eles querem trabalhar em ambientes descolados, que proporcionem a satisfação com o que fazem. Ao mesmo tempo querem ser bem remunerados por isso. Uma forma que essas pessoas encontraram para colocar isso em prática foi monetizar seus hobbies.

É comum que jovens que gostem de games comecem a gravar vídeos para o YouTube. Outros que compartilham do hobby os assistem e os fazem ganhar dinheiro. Hoje, várias plataformas permitem que os usuários gerem renda com o aluguel de suas roupas ou com a venda de receitas caseiras. Portanto, monetizar um hobby não é mais tarefa difícil, o que explica que quase metade da geração Z já tenha uma fonte de renda.

Conceito de sucesso

Os Z querem se casar, ter seu próprio negócio e viajar o mundo. A pesquisa que Michel Alcoforado apresentou, detectou que 43% querem ter um relacionamento estável ou se casar e determinam isso como sucesso. Já 23% acham que ser bem-sucedido é abrir o próprio negócio. Outros 22% pensam que ter sucesso é viajar o mundo.



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